24 de Novembro de 2009

o tempo é um lugar estranho


A Beautiful Revolution

23 de Novembro de 2009

à procura de um poema

© Stephane Coutelle

Parti uma unha enquanto vestia as meias o que, acto contínuo, fez com que rasgasse as meias, como parti a unha não sei, estava demasiado distraída a pensar que preciso de encontrar um poema para desenhar numa parede, demasiado distraída a pensar que o sangue de boi não combina com o sofá pelo qual me apaixonei e onde é fácil imaginar longas tardes de leitura com uma chávena de chá ao lado durante o inverno ou com embalagens XL de Häagen-Dazs durante o verão. Posso trocar de sofá, porque a parede fica, mas continua a precisar de um poema.

reflexos de sábado à noite

ao fim deste tempo todo eu já devia saber que nunca me arrependo do que faço, apenas do que deixo por fazer.

18 de Novembro de 2009

Meredith's wisdom

"The person who invented the phrase 'Happily ever after' should have his ass kicked so hard."

[post com dedicatória]

17 de Novembro de 2009

© Alex Cayley

"The last to approach the coffin was the private duty nurse, Maureen, a battler from the look of her and no stranger to either life or death. When, with a smile, she left the dirt slip slowly across her curled palm and out the side of her hand onto the coffin, the gesture looked like the prelude to a carnal act. Cleary this was a man to whom she’d once given much thought."

Everyman, Philip Roth

14 de Novembro de 2009



O spot publicitário português "Cinco Razões para não usar preservativo" foi considerado o melhor anúncio governamental europeu de prevenção da sida no "European AIDS Video Clip Contest 'Clip & Klar europe 09". [Lusa]

10 de Novembro de 2009

© Jonathan Leder

a pergunta não devia ser sobre fazer ou não um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. a questão é mesmo porque raio continuamos a discutir algo que depende única e simplesmente da vontade individual e das escolhas de cada um? que se faça a lei de uma vez por todas.

9 de Novembro de 2009

muros

Sem circunspecção, sem mágoa, sem pejo
grandes e altos em redor de mim construíram muros.

E fico e desespero agora no que vejo.
Não penso noutra coisa: na minha mente esta sina rasga furos;

porque tantas coisas havia a fazer lá fora por ti.
Quando construíram os muros como é que não reparei, ah.

Mas nunca o estrondo de pedreiros ou som ouvi.
Imperceptivelmente cerraram-me do mundo que está lá.

Os Poemas, Konstandinos Kavafis

5 de Novembro de 2009

eyes wide shut

© Peter Gasser


Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

4 de Novembro de 2009

só porque sim

[Nick Clements]

Hoje, só hoje, estou capaz de perceber quem um dia acorda de manhã, lava os dentes, toma banho, não necessariamente por esta ordem, toma o pequeno-almoço, beija a mulher, ou o marido, para o caso tanto faz, pega na mala, na shotgun, sai para o trabalho e quando lá chega dispara sobre tudo o que mexe. E não aconteceu nada de especial. Só porque sim.

3 de Novembro de 2009

farta de jogos

Karen Collins

dos quais não sei as regras. era tudo tão mais simples se as pessoas fossem sinceras e transparentes. Ai.

não fosse a tatiana...

... e o facto de ele morar em Ourique e eu ser pouco dada ao campo, era mulher para me declarar a este eremita:


"O pior momento do dia de um deprimido é a manhã. Isto é algo paradoxal, porque à medida que a vida decorre, isto é, que o dia avança, o deprimido melhora a sua condição. Parece que viver, afinal, não é assim tão mau e que o difícil é o arranque. [...] ao acordar, o deprimido deve de imediato criar uma situação de vida. Idealmente, o deprimido acordaria convencido de que o prédio está em chamas ou que tem um tigre da Sibéria entre os lençóis, mas também serve um gole de gaspacho suficientemente acondimentado para o transportar até ao calor de um começo de tarde. O importante é evitar o leite, o café e os cereais. Marisco. Marisco também serve."

i should have stayed

Ando às voltas para descobrir a forma correcta de escrever o som que fazem os meus passos, os ténis encharcados, as meias mais que molhadas, de cada vez que os pés tocam no chão, primeiro o direito, depois o esquerdo. Ando às voltas para descobrir a forma correcta de escrever o som que me persegue enquanto caminho pela 42th em direcção à 7th. A água entra às golfadas para dentro dos ténis, de tantos em tantos passos. Por mais que evite as poças, estou irremediavelmente encharcada até aos joelhos e a única coisa que me apetece é rir. Não pára de chover desde madrugada, quando o sol ainda não se via pela janela do quarto na 53, estava a chover quando saí do hotel, quando dancei à frente do centro de recrutamento militar na times square. A chuva a cair impiedosa e eu, que tudo faço para passar despercebida, a dançar ao som dos clash, sem conseguir parar de rir.

eu, ciumenta, me confesso...

© Jonathan Frantini

[pelas palavras da Mónica Marques]

"[...]O amor não é uma coisa light nem limpinha. O amor não obedece aos controleiros da ASAE. Eu quero ciúmes e cenas para depois fazer as pazes com o meu amor. Pessoínhas muito politicamente correctas, que bebem Coca Zero e comem saladas são imediatamente empandeiradas. E isto não se trata de um fundamentalismo bacoco. Acontece-me. Sou assim. Acabo sempre a morrer de ciúmes dos excessivos e comilões. Os que no amor navegam sem bússola e gostam de carne em sangue. Os que choram baba e ranho e andam sempre com Kleenexes porque complicam tudo e se angustiam com a quantidade de outros seres maravilhosos, lindos e interessantes que cruzam as nossas vidas diariamente.
Normalmente os muito ciumentos, como eu, têm um problema. Aliás têm vários. Mas o principal é a mistura explosiva de egotismo, insegurança e imaginação. Que nos torna especialmente nojentinhos e tortuosos e com dores que normalmente vão desde as articulações à raiz dos cabelos. [...]"

Ler tudo no Sushi Leblon

1 de Novembro de 2009

e para onde mando a resposta?

© Peter Zachary Voelker

"Jovem, medíocre sob todos os aspectos, procura mulher magnífica sob todos os aspectos para deambular em locais carregados de história, como os jardins de Versailles, ou em deslocação constante, como os corredores dos comboios."

Anúncio publicado no Libération

Por António Pinho Vargas, via PRD

sangue de boi

comprei a tinta que vai fazer a diferença nunca casa que se quer branca, encaixotei os primeiros livros, faço conta aos dias que faltam e passeio-me pelo bairro, numa visita de reconhecimento e apresentação.

a hora do lobo

[Miguel Madeira/Público]

António Sérgio [1950-2009]. hoje ficamos mais pobres.

31 de Outubro de 2009

slow motion return

24 de Outubro de 2009

é dia de meter o inverno nos armários

desempacotar a roupa de inverno e repô-la por uns meses no lugar de uso corrente é das actividades mais deprimentes de que há memória.

23 de Outubro de 2009

para a semana vingo-me!

© Adam Whitehead

desliguei o portátil, onde estive a martelar furiosamente, às 2 da manhã e agora aqui estou.

22 de Outubro de 2009

leituras para uma viagem

[da net, autor desconhecido, pelo menos por mim]

regresso do almoço com o 'Indignação' na mala, foi um presente, porque o livro 'é a minha cara', lê-se na dedicatória rabiscada nas primeiras páginas, escrita ali na mesa do almoço, sobre a toalha branca.

20 de Outubro de 2009

[beijo]

© Peter Gasser

à tarde

© Nan Goldin

Entregámo-nos
um ao outro
dentro dos lençóis
brancos
à tarde
na posição mais ortodoxa
e agora sabemos
e não sabemos
um do outro
escrevemo-nos
escrevemos

- Adília Lopes, O Peixe na Água

inside my head

© Michael Sanders


I shut my eyes and all the world drops dead;
I lift my lids and all is born again.
(I think I made you up inside my head.)

The stars go waltzing out in blue and red,
And arbitrary blackness gallops in:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)

God topples from the sky, hell's fires fade:
Exit seraphim and Satan's men:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I fancied you'd return the way you said,
But I grow old and I forget your name.
(I think I made you up inside my head.)

I should have loved a thunderbird instead;
At least when spring comes they roar back again.
I shut my eyes and all the world drops dead.
(I think I made you up inside my head.)

Sylvia Plath

19 de Outubro de 2009

'let your hips do the talking '

© Hedi Slimane

18 de Outubro de 2009

às vezes leio-a

© Harry Benson

tenho uma carta de amor dentro de um livro de folhas amarelas e quebradiças.

um bilhete para a sala 2

[Penélope Cruz em Abrazos Rotos]

peço um bilhete para a sessão das 21h30 e oiço como resposta 'é um bilhete?'. Sim, é um bilhete!, respondo a achar que ainda arrisco um qualquer imposto por ir ao cinema sozinha. como vingança peço o livro de reclamações à saída. a modos que me incomodou estar na sala a ouvir partes do filme que passava na tela do lado.

[imagem gentilmente roubada no e deus criou a mulher]

16 de Outubro de 2009

hoje foi um dia bom

era só isso. ah! e vai acabar melhor. pronto, agora sim, é tudo.

do verão

o miguel chama-lhe verão de outono, eu vou derretendo, amolecendo com o calor, pensando que podíamos ficar assim o ano inteiro, que nasci para viver nos trópicos, e que se há tantas outras coisas que se pode fazer à chuva, muito mais há para fazer em dias de sol e noites quentes, e passam-me pela cabeça uma mão cheia delas, nem todas próprias para serem ditas.

15 de Outubro de 2009

'we’re still making love'



o shuffle do ipod insiste em repetir músicas do cohen. Podia ser pior. Hoje é um bom dia para regressar.

13 de Outubro de 2009

música

© Hedi Slimane

um destes dias, a ouvir bach, deu-me uma vontade imensa de aprender a tocar violino. não fosse eu completamente dura de ouvido e é o que faria.

as mulheres gostam de sexo. habituem-se.

© Stephane Coutelle


Estou sentada com as pernas dobradas, os pés atirados para trás, quase por baixo do rabo, o corpo inclinado sobre o braço do sofá laranja, está um dia quente e a conversa nunca é penosa, antes um despudorado abrir de memórias mais ou menos recentes, aqui não tenho preconceitos, digo tudo, torneira aberta para o que der e vier, falamos de homens e mulheres, de sexo, e então pasme-se, a revelação. ‘os homens não gostam de mulheres que gostam de sexo.’ O discurso continua, fala dos homens que ali chegam e se queixam que as mulheres só querem sexo, só pensam em sexo, só fazem sexo. E eu a dizer que sempre achei que era precisamente isso que queriam, que eles é que pensam com a cabeça que têm entre pernas. Que não, que se sentem intimidados, que não sabem como agir quando o conceito de mulher submissa, velada, da mulher que de cara descoberta nunca tira a ‘burka’ mesmo no quarto, que lhes servia de referência para a sua masculinidade cai por terra. E eu a pensar na estranha inversão de papéis, que temos pena, mas que já não estamos na idade média, que em algum ponto desta vida eles terão que se habituar que há muito que também usamos calças, que sabemos o que queremos e faremos o que for preciso para o conseguir, mesmo que isso signifique deixar pela caminho uns quantos homens que não passaram de promessa disso mesmo porque o que querem ter em casa não é uma mulher com M grande, antes um projecto de…

11 de Outubro de 2009

muito mais do que moda


© Irving Penn [1917 – 2009]

[post com demasiados dias de atraso]

make a wish

hoje vi uma estrela cadente e pedi um desejo. fechei os olhos com muita força, concentrei-me, e murmurei um desejo como quem repete um mantra.

7 de Outubro de 2009

so fucking wrong



[post integralmente roubado no beco dos prazeres]

5 de Outubro de 2009

da amizade

Apresento um dos homens da minha vida a uma grande amiga. Quando ele se vai embora, ela fica a praguejar, a injuriá-lo, a ameaça-lo de morte por tudo o que ficou lá atrás. Repito-lhe que está tudo resolvido, que somos bons amigos, ela ignora-me. Não posso jurar, mas acho que ouvi falar em castrações.

agenda

3 de Fevereiro de 2010. Campo Pequeno.



[de bilhete comprado]

2 de Outubro de 2009

a solução


[no a beautiful revolution recordado por Menina Limão]

1 de Outubro de 2009

curtas ou ensaio para títulos de posts que nunca vou escrever

este blog afinal não encontrou uma casa

este blog anda a tentar convencer-se que cheirar a outono não é razão suficiente para ficar deprimido

o regresso continua programado

este blog é apolítico e por isso não se pronuncia sobre a senilidade do presidente

este blog voltou a ter um ataque de alergias quase um mês depois de achar que já só voltavam na primavera

todos os dias são maus para ver nascer uma borbulha, mas uns são piores que outros

este blog viu mais uma casa e até acha que só podia dedicar ao negócio do restauro

este blog acha que há horas demasiado curtas e que sabem a pouco

este blog devia estar a dormir zzzzzzzzzzzzzzzzzz

29 de Setembro de 2009

este blog encontrou uma casa

perco o sono nas contas de cabeça, avaliações, nas propostas, eventuais contra-propostas, spreads, taxas euribor. faço figas enquanto espero por um telefonema, sonho acordada com uma cozinha de janelas grandes, um quarto cheio de luz e uma varanda para ler nos finais de tarde.

valores seguros

28 de Setembro de 2009

preparar o regresso

© Kenny Louie

amanhã não sabemos

© Robert Clyde Anderson

O mundo vira-se de pernas para o ar e percebemos que as ansiedades não são mais do que manias, que a vida é para ser engolida em golfadas, que só interessa o presente, que é aproveitar enquanto podemos, um chorrilho de frases feitas que fazem sentido porque a vida, o dia-a-dia, o lufa-lufa do escritório, as chatices com o chefe, e os desamores têm que ser relativizados quando o choque nos faz questionar tudo. Só temos hoje, amanhã não sabemos.

23 de Setembro de 2009

é de manhã que se começa o dia

© Sarah Maingot

"As nossas sombras respiraram juntas.
A nossos pés as águas do rio dos acontecimentos deslizavam quase em silêncio.
As nossas sombras respiravam juntas e com elas tudo ficava resguardado."

"Diz, será que não vamos realmente encontrar-nos nunca mais?"

Nós dois ainda, Henri Michaux

[e o meu começa a roubar um poema daqui, com o devido agradecimento]

22 de Setembro de 2009

este blog está podre de cansaço

mas muito, muito feliz.